segunda-feira, 5 de março de 2012

noites


É tarde da noite. O dia de amanhã vai ser daqueles transbordantes de rostos e palavras. E eu aqui, sentada na minha cama, olhando para o quarto ao meu redor, com a sensação de que o apartamento está me engolindo, de que a rua é gigantesca, de que o mundo é gelado lá fora. E penso quase já sem esperanças, naquele sonho que não tive nas noites passadas, nos anos passados... E me pego imaginando onde seria o esconderijo do protagonista de um lugar onde o tempo saiba passar: onde exista uma dose certa entre os dias necessários para a saudade consumir o peito, e para que os minutos não fujam antes da saciedade do beijo. Porque aqui, onde venho morando, o tempo machuca e vezenquando as noites são longas, vezenquando o domingo não passa... E é por isso que desejo tanto encontrá-lo, entende?! Para que deitasse minha cabeça em seu peito largo e fizesse meu sono chegar, e talvez até meu domingo sorrir. Mas não se assuste, pois não sou exigente e não há muito o que trazer... Uma camiseta de algodão branca no corpo, com cheirinho de limpo, e uma barba de alguns dias para roçar minhas bochechas e me lembrar do homem por trás das covinhas, já me fazem satisfeita. E haverá certas tarefas onde um bom fôlego será apreciado. No mais, basta estar aqui, basta dar amor, basta fazer sonhar. Ah, e me diga assim que chegar, se for possível, por onde diabos você andou essas noites todas?!

Cristina Menezes

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